MP abre investigação após igreja defender família tradicional em desfile cívico em SC

Faixas exibidas por uma igreja, durante o desfile de 7 de Setembro na cidade de Içara (SC), levaram o Ministério Público de Santa Catarina ...

MP abre investigação após igreja defender família tradicional em desfile cívico em SC
MP abre investigação após igreja defender família tradicional em desfile cívico em SC (Foto: Reprodução)

Faixas exibidas por uma igreja, durante o desfile de 7 de Setembro na cidade de Içara (SC), levaram o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a abrir uma investigação.

No evento cívico, a Igreja Assembleia de Deus desfilou com todos os seus departamentos. O Departamento da Família exibiu faixas defendendo o modelo bíblico de família e se posicionou contra a ideologia de gênero e o aborto.

“Homem + mulher + filhos = família tradicional”, “Somos contra a ideologia de gênero”, “Deus criou homem e mulher (Mc 10:6)”, “Não ao aborto. A vida começa na concepção (Pv 31:8)” e “Casamento é monogâmico e heterossexual (Mt 19: 5-6) foram as frases apresentadas nas faixas.

Um vídeo do desfile, postado pela igreja, repercutiu nas redes sociais e foi alvo de ataques por muitos usuários. O PSOL informou que iria acionar o Ministério Público de Santa Catarina, alegando que a laicidade foi ferida durante o desfile de 7 de setembro, segundo o UOL.

Denúncia ao MP

Na segunda-feira (14), o MPSC informou que recebeu uma denúncia sobre as mensagens cristãs e que um procedimento foi instaurado para investigar possível discriminação contra pessoas LGBTs.

Entre os fatores que serão analisados pelo Ministério Público está o fato das faixas terem sido exibidas durante um evento promovido pela Prefeitura de Içara.

O procedimento quer esclarecer como ocorreu a participação da igreja e se houve alguma forma de análise prévia do conteúdo apresentado.

No documento que determinou a abertura da Notícia de Fato, a promotora de Justiça Rafaela Mozzaquattro Machado afirmou que o caso envolve a proteção de direitos fundamentais e o combate à discriminação.

“Diante da ocorrência de fatos relacionados à proteção dos direitos fundamentais e ao combate à discriminação, com potencial repercussão na tutela de interesses difusos e coletivos, determinou-se a evolução para Notícia de Fato”, declarou a promotora.

O MP deu o prazo de 10 dias para que a Prefeitura apresente informações sobre a participação da Igreja Assembleia de Deus no desfile.

Além disso, o governo municipal deve enviar documentos oficiais do evento, uma cópia do formulário preenchido pela igreja para participar da programação, e ainda informar qual setor ou servidor ficou responsável pelo recebimento e controle desses documentos.